DaioPax

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POESIA NÃO É


POESIA É O QUE SE MOVE LÁ POR TRÁS DO SENTIMENTO
SE DISFARÇA, NÃO TEM VIDA, SE DESFAZ PELO MOMENTO
NÃO TEM FACE, NEM TEM FASE, FAZ SORRIR E FAZ TORMENTO
MAS PALAVRAS, ARRANCADAS, NÃO SE PERDEM COM O TEMPO

POESIA NÃO TEM TESE, TEM TESÃO E TEM INVENTO
MANDA FLORES, LÊ AS CORES, PENSA LOGO, CHORA LENTO
PERDE O TINO, FAZ DESTINO, PASSA LETRAS NO REBENTO
BUSCA O OCULTO, E NO VULTO REPRODUZ O QUE É ALENTO

POESIA NÃO FECUNDA, NÃO INUNDA, É SÓ INTENTO
DIZ QUE É NOBRE, E QUE É POBRE, DIZ QUE É PODRE O SEU LAMENTO
NEM VERDADE, INVERDADE, VEM E LEVA COMO O VENTO
EU QUE A TINHA, E NEM É MINHA, EMBRIÃO DE PENSAMENTO

QUERO FALAR BEM PERTO MESMO QUE SEM RIMA
MESMO QUE INCERTO, MESMO QUE REPRIMA
UM MURMÚRIO NO OUVIDO, UM SOPRO NO CORAÇÃO
PALAVRAS QUE DE UM EU DOÍDO, DIZEM: AMOR, NEM TUDO É EM VÃO
E QUANDO MEU OLHAR REBAIXAR-SE A TUA FACE
É MEU MEDO DE DIZER O QUE BEM SEI: JAMAIS DIRIA
AI DE MIM SE MEU CALAR NÃO MAIS CESSASSE
SE NÃO JORRASSE DE MINHA MENTE O FALAR DA POESIA

 


EU, PENSAR?

 

MENTES QUE FERVEM EM MIM
FETOS QUE MENTEM ASSIM
GEREM GRANDEZA E PÃO
PARTAM O PÃO DO PARTO
TORNEM O FAMINTO EM FARTO
NASÇA O QUE NÃO FOR EM VÃO!

DOAM POBRES NEURÔNIOS
PODRES NEURÓTICOS ERRÔNEOS
FAÇAM CHOVER O DIZER
DIGA AO FAZER PRÁ AVEXAR-SE
E PRO VEXAME CALAR-SE
PARA O CRIAR NÃO MORRER

PARE, CONFUSO PENSANTE
O FUSO HORÁRIO ERRANTE
ANTES DO ERÁRIO ENFIM
DIZ PARA O DIZER DIZER
BEM ANTES DO PERECER
O TEMPO JÁ COSPE O FIM

PODE SER CANTO E CONTO
PODE SER TANTO E TONTO
DO PÓS-VIVIDO AO FETO
FEITOS DE VIDA E MORTE
CACOS DE AZAR E SORTE
GENTE, ANFÍBIO E INSETO

QUERO PENSAR ODISSÉIA
LUZIR A LUZ DA IDÉIA
DEPOIS ZOMBAR DA UTOPIA
VOU INGERIR CADA RIMA
E PROCESSAR A ENZIMA
PRÁ VOMITAR POESIA

 


RISCO POÉTICO


POETIZAR ME DÁ MEDO.
E SE TORNAR-SE UMA RIMA?
E SE FOR A OBRA PRIMA?
E SE FOR O MEU DEGREDO?
VAI QUE O VERBO DESAFINA
VAI QUE APAGA A LAMPARINA
VAI QUE FOGE O MEU SEGREDO.

E SE O CHORO ESBORRAR
A ESTROFE CHEIA DO DITO?
E SE O VERSO VIRA RITO?
E SE O DESEJO RIMAR?
O POETA, O BENDITO
E SE AGORA FOR O MITO?
E SE A RAZÃO RESPIRAR?

“RIMARDIA” FLUENTE
QUAL POETA SONHARIA?
QUE ESTROFE ZOMBARIA
DO DIZER QUANDO SE SENTE?
E SE FOR PENSAR DOENTE?
OU UM “DIZEDOR” DEMENTE
CANTANDO A CALMARIA?

TENHO RECEIO DO VERSO
DO ESTALAR NO PRONUNCIADO
QUANDO TODO O CALADO
VIRA FALA DO IMERSO
E SE O “HORTO” SEPULTADO
RESSUSCITAR ENUNCIADO
E RIMAR O ADVERSO

POETIZAR ME ARREPIA
FANTASMAGORICAMENTE
PREGAR O PENSAR ARDENTE
COM UM CORPO EM SINERGIA.
E SE NÃO HÁ SOBREVIVENTE
NESTE MUNDO DESCRENTE
EXUMAREI A POESIA.

 

 

Todas as poesias são de autoria do grande vate Nilson Ferreira, escritor, ator e Jornalista

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