Com a saída definitiva de Jair Bolsonaro do PSL, deputados que enfrentaram o presidente na disputa interna da sigla pretendem assumir uma postura mais independente no Congresso. O movimento pode afetar a fidelidade da legenda ao governo. Políticos que decidiram permanecer no PSL em vez de seguir o presidente na fundação de um novo partido continuam alinhados a uma pauta liberal na economia e conservadora nos costumes. Eles se dizem, porém, menos dispostos a encarar situações de desgaste para defender o governo.

c4b723fdb45dbf544a74673218feeebcFoto: Marcos Correa/PR

Na prática, ainda devem votar a favor de propostas encampadas pelo Palácio do Planalto –em especial pontos das agendas dos ministros Paulo Guedes (Economia) e Sergio Moro (Justiça). O que tende a mudar é a adesão dessa ala à votação de tópicos considerados impopulares, além do entusiasmo em assumir a dianteira na defesa do presidente e de ministros. Na avaliação de alguns dos principais deputados desse campo, o apoio às pautas do governo no Congresso será definido caso a caso.

Hoje, o PSL está rachado ao meio. Dos 53 deputados da bancada na Câmara, cerca de 25 indicam estar dispostos a migrar para a Aliança pelo Brasil, legenda que Bolsonaro pretende tirar do papel. A ala que ficará no PSL diz que, com atuação mais livre, não se sentirá obrigada a atuar como tropa de choque. Esse nome é dado ao grupo fiel (geralmente liderado pelo partido do presidente) que assume a linha de frente na defesa de itens espinhosos.

"O PSL fez alguns sacrifícios pelo governo e enfrentou desgastes", diz Joice Hasselmann (PSL-SP), que perdeu o posto de líder do governo no Congresso depois de entrar em conflito com Bolsonaro. "Não vamos mais assumir o ônus de votar contra o Brasil para ajudar o governo."

A deputada cita como exemplo uma proposta de Bolsonaro nas discussões da reforma da Previdência para alterar regras de aposentadoria de policiais federais. Ela afirma ter sido chamada de traidora pelos agentes por defender a posição do Planalto. Também no PSL, o deputado Felipe Francischini (PR) defende que a legenda continue integrando oficialmente a base do governo, mas reconhece que o comportamento da bancada deve ser mais livre.

"O partido sempre foi meio independente. Acho que vai continuar sendo desse jeito. Talvez em temas mais espinhosos os deputados deixem de oferecer aquela boia de salvação ao governo", declara. Francischini lembra a votação da Câmara que abriu caminho para derrubar um decreto de Bolsonaro que ampliava o sigilo sobre documentos públicos, em fevereiro. O PSL foi o único partido que apoiou o governo e votou em massa para tentar bloquear a rejeição dessa medida.

Para o deputado, que preside a comissão de Constituição e Justiça, o comportamento da bancada seria diferente hoje. "Quando o parlamentar perde aquela conexão forte com o governo, ele não vai necessariamente deixar de votar a favor de medidas nevrálgicas, mas acaba pensando duas vezes", diz Francischini. Embora a agenda econômica liberal faça parte do cerne da atuação desses deputados, alguns deles afirmam que não haverá alinhamento automático com orientações dos líderes do governo.

Junior Bozzella (SP), vice-presidente do PSL, prevê mais atenção a questões sociais, mesmo nas matérias em que o Palácio do Planalto fizer pressão por aperto fiscal. "A gente não vai fechar os olhos para os trabalhadores porque o governo quer economizar." Segundo ele, deputados do PSL votavam de acordo com a orientação do Planalto porque eram "100% fiéis" a Bolsonaro. "Mesmo em pautas que nos colocavam contra nossas bases, fomos fiéis. Hoje, quando houver divergências, podemos liberar a bancada."

Julian Lemos (PB), que era um dos principais aliados de Bolsonaro no Nordeste, diz que questões regionais terão mais peso que orientações do governo.
Ele diz acreditar que alguns parlamentares podem votar contra a proposta de extinção de municípios incluída pelo Ministério da Economia no pacote de reforma do Estado. "O deputado terá essa sensibilidade, porque ele é votado em todo o estado", afirma.

Sinais concretos de afastamento entre essa ala e o Planalto se tornaram mais visíveis. Na última semana, um coronel indicado pelo deputado Heitor Freire (CE) para chefiar o Ibama no Ceará perdeu o cargo. Em outubro, auge da crise partidária, um apadrinhado do presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), foi demitido do Ministério do Desenvolvimento Regional. José Lindoso de Albuquerque Filho ocupava um dos postos mais importantes da pasta, a Secretaria Nacional de Mobilidade.

Líder do governo Bolsonaro na Câmara, o deputado Vitor Hugo (GO) admite a possibilidade de divergências. Mas provoca: "Vai ficar estranho se eles mudarem crenças e valores que defenderam na campanha". Mesmo os deputados que se distanciaram de Bolsonaro durante a disputa do PSL reconhecem que a afinidade é incontestável em muitos temas. "A linha continua sendo liberal [na economia] e conservadora [nos costumes], não tem como se desvincular. O que se acertou durante a campanha está mantido", diz Julian Lemos. "Não são pautas do presidente, são nossas também."

Fonte: Folhapress, por Bruno Boghossian e Thais Arbex

O Partido dos Trabalhadores realiza neste domingo, 24, o último dia do 7.º Congresso Nacional da sigla, na Casa de Portugal, centro de São Paulo. O principal objetivo dos trabalhos de hoje é definir a presidência nacional do partido para os próximos quatro anos e que, até o momento, é disputada por quatro candidatos: Gleisi Hoffmann, deputada federal (PR) e atual presidente do PT; Paulo Teixeira, deputado federal (SP); Margarida Salomão, deputada federal (MG); e Walter Pomar, historiador filiado ao PT.

dae76f66a437a1400517294a2dae8d51Foto: Arquivo Folhapress

A votação, iniciada após a plenária final, deve ter o resultado final conhecido às 17 horas, no encerramento do Congresso. A percepção de participantes é de que Gleisi Hoffmann sairá vencedora já que ela teria apoio da maioria dos 800 delegados de todo o País participantes do Congresso.

A tese vencedora no Congresso, da corrente Construindo um Novo Brasil, reafirma a oposição do PT ao governo, mas sem a defesa do "fora Bolsonaro".

"A ideia é ter um projeto mais global para o País", diz o senador Humberto Costa (PT-PE). Segundo o senador, as eleições de 2020 não estão entre os temas principais em discussão, mas ele confirmou que a tendência do PT é apresentar candidaturas próprias ou formar alianças com outras siglas de esquerda.

A informação da assessoria é de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que discursou na abertura do Congresso, na noite de sexta-feira, 22, não está presente no Congresso. A expectativa é de que ele chegue ao longo da tarde, mas ainda não há confirmação.

Fonte: Estadão Conteúdo

O líder político Gustavo Henrique esteve na manhã de hoje na cidade de Floriano reunido com lideranças políticas visando fortalecer o seu partido rumo as próximas eleições municipais. Em entrevista concedida ao Portal jc24horas, Gustavo Disse que Floriano é uma cidade estratégica, que veio a convite de um grupo de lideranças formado por pré-candidatos a vereadores e o objetivo principal da reunião é a entrega ou não da sigla do PTC (Partido Trabalhista Cristão) para essas lideranças. Com a aproximação das eleições as forças políticas começam a se organizar para participar do processo. 

WhatsApp Image 2019 11 22 at 14.35.56Gustavo Henrique reunido com lideranças de Floriano. (Imagem:Temístocles Filho/jc24horas)

Ao contrário da quase totalidade dos políticos, Gustavo é contra o fundo partidário por achar que dinheiro público é para ser utilizado em obras de infraestrutura,saúde, educação e segurança da população. "O político que quer ser político tem que fazer tudo de acordo com as suas possibilidades". Disse o líder. "Floriano precisa voltar a ser prpotagonista do estado. Ela está bem acanhada". Prosseguiu Gustavo defendendo a alternância de poder.  Ao falar de candidatura ao cargo majoritário em Floriano, Gustavo disse que os dois principais antagonistas que disputam pleito são "farinha do mesmo saco".  

A reunião dos líderes ficou a cargo do Paulo Sérgio conhecido como Paulo do Catumbi que também fez uma avaliação da reunião que aconteceu na manhã de hoje(22) em Floriano. Confira as entrevistas no vídeo abaixo.

Da redação

O PT considera ter a ex-prefeita Marta Suplicy, atualmente sem partido, na chapa que vai disputar a Prefeitura de São Paulo no ano que vem. O nome dela foi citado como opção à Prefeitura em uma explanação feita pelo cientista social Alberto Carlos de Almeida sobre os cenários para as eleições de 2020 ao diretório nacional do PT, nesta quinta-feira, 21, em São Paulo.

91fb8fb05f20db6b50a4c800830305dcFoto: Moreira Mariz/Agência Senado

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava na reunião. Na véspera, Lula disse em entrevista ao site Nocaute, do escritor Fernando Morais, que Marta foi "a melhor prefeita de São Paulo" e poderia voltar ao PT. Procurada na quarta-feira, a ex-prefeita não quis comentar a declaração de Lula. Em setembro, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Marta fez mea-culpa em uma tentativa de resgatar vínculo com a esquerda.

Na explanação à direção do PT, Almeida citou Marta e o ex-prefeito Fernando Haddad como opções para 2020. Haddad já disse várias vezes que não quer ser candidato. A última delas foi em uma reunião com Lula e o presidente estadual do PT de São Paulo, Luiz Marinho, na terça-feira, 19.

"Ela tem dito que pode ser candidata a prefeita, a vice ou nem ser candidata, mas quer trabalhar por uma frente para enfrentar a extrema direita", disse o ex-deputado Jilmar Tatto, um dos interlocutores do partido com a ex-prefeita.

Marta deixou o PT em 2015 para se filiar ao MDB fazendo duras críticas ao partido por envolvimento em casos de corrupção. No ano seguinte ela votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (que também participou da reunião) e passou a ser chamada de "golpista" pelos petistas.

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, uma das principais críticas de Marta durante o processo de impeachment de Dilma, admitiu a possibilidade de a ex-prefeita compor a chapa do partido nas eleições para a Prefeitura de São Paulo no ano que vem. "Poderia compor, com certeza", disse Gleisi.

A presidente do PT, no entanto, disse ver poucas chances de Marta voltar ao partido. "Não penso que ele vá voltar para o PT. Nem da parte dela nem da parte do PT dá muita liga", completou Gleisi.

Outros dirigentes do partido, no entanto, têm visões distintas. Questionado se perdoaria a ex-prefeita pelos ataques feitos ao partido, Márcio Macedo, um dos vice-presidentes da legenda, respondeu: "sou cristão".

Dirigentes do PT em São Paulo avaliam que a volta de Marta é um movimento difícil, mas creem que os sinais dados por Lula mostram que a hipótese não está descartada. O PT procura um candidato competitivo para disputar a principal cidade do Brasil Com Haddad fora da disputa, os nomes mais cotados são os de Tatto e do deputado Alexandre Padilha.

PT cogitou não lançar candidato em São Paulo

O PT chegou a cogitar a possibilidade de pela primeira vez não lançar candidato a prefeito na maior cidade do Brasil, mas mudou de posição a partir da nova orientação de Lula. Nesta quinta-feira, diante da direção do PT, o ex-presidente reiterou que a ordem é lançar candidatos no maior número de cidades grandes e médias possível.

Mais do que ganhar a eleição, Lula quer que o PT utilize o espaço do partido no horário eleitoral de rádio e TV para fazer a defesa do PT, do legado de seus governos e do nome de seus principais dirigentes. Ele tem dito a petistas que o partido não pode desperdiçar a chance, principalmente depois que o horário partidário na TV foi extinto. "Se o PT não se defender, ninguém vai defender o PT", disse Lula.

As estratégias colocam em risco alianças em torno de nomes de outros partidos que até pouco tempo atrás eram dadas como certas a exemplo de Manuela D'Avila (PCdoB), em Porto Alegre, e Marcelo Freixo (PSOL), no Rio.

Na reunião do diretório nacional do PT, Lula citou várias vezes o nome da deputada Benedita da Silva como possível candidata do PT à prefeitura do Rio. Além disso, o ex-presidente lembrou que o PT já governou o Rio Grande do Sul duas vezes, com Olívio Dutra e Tarso Genro, e comandou a prefeitura de Porto Alegre.

Mesmo assim, Lula orientou Gleisi a falar com os presidentes de outros partidos de esquerda e centro-esquerda sobre alianças em 2020.

Durante a reunião, Lula defendeu que os partidos revejam o currículo de seus cursos de formação para incluir as revoltas populares brasileiras na grade de estudos de seus novos quadros

O ex-presidente, que passou um ano e meio cumprindo pena em regime fechado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, foi às lágrimas ao lembrar do tempo que passou na prisão. "Quando você está preso e precisa controlar o ódio, para mim, tudo se resumia em dizer que o povo estava numa situação pior do que a minha", disse.

Fonte: Estadão Conteúdo

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