• Paraiba
  • chopp sabora
  • Dario PAX
  • Posto Aliança
  • Oticas Floriano
  • Garoto
  • Farmaduty
  • Construforte
  • Jorge
  • Jorge
  • Dario PAX
  • chopp sabora
  • Oticas Floriano
  • Farmaduty
  • Paraiba
  • Garoto
  • Construforte
  • Posto Aliança

Filiado ao Podemos há pouco mais de um mês, o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro já experimenta obstáculos na articulação para consolidar uma candidatura à Presidência em 2022. Além do ambiente hostil de parte do mundo político por causa de sua atuação como juiz da Operação Lava Jato, Moro ainda enfrenta resistência de setores do próprio partido. A tarefa de costurar eventuais alianças e apoios foi delegada à presidente da legenda, a deputada federal Renata Abreu (SP).

400e11349b0c6282c4f136eb50ea5e8eFoto: Pedro França/Agência Senado

Chamada de "chefe" por Moro, a parlamentar carrega a procuração do pré-candidato para conversas partidárias que envolvem o varejo político regional. A agenda de Moro ficou concentrada em reuniões com apoiadores, entrevistas à imprensa e eventos para a divulgação de seu livro, cujo acesso chega a custar R$ 90.

Na última semana, Moro esteve nos Estados Unidos para trazer sua mulher, Rosângela, e seus dois filhos de volta ao Brasil definitivamente. Enquanto isso, Renata comandou a reunião considerada até agora a mais importante para uma futura candidatura do ex-juiz. Ela esteve com o presidente do PSL, Luciano Bivar, e o deputado federal Junior Bozzella (PSL-SP). Ambos costuram a fusão entre o PSL e o DEM que resultará no União Brasil. As siglas representam, juntas, a maior bancada do Congresso.

As conversas ocorrem desde outubro. Bozzella é defensor da ideia de que o ex-juiz deveria ter Bivar como vice em 2022. O problema é que até agora o futuro presidente do União Brasil não mergulhou no projeto Moro.

Para Bozzella, ainda há margem para tirar aliados do presidente Jair Bolsonaro. "É um processo, vai levar um período lá na frente para a caneta do Bolsonaro começar a esvaziar. As pessoas também vão mudar as suas posições", disse.

Moro esteve ao lado de Renata com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, logo após ele ser derrotado nas prévias do PSDB. Dirigentes do Podemos relataram que Renata deixou as portas abertas do partido para Leite, indicando a possibilidade de ele eventualmente ocupar o posto de vice. Pela lógica das negociações políticas, uma chapa pura tem menos chance de se concretizar, pois afasta possíveis alianças.

Empresária e advogada, Renata herdou do pai e do tio o comando do PTN - então um partido nanico -, que ela transformou no Podemos. Além de Moro, sua cartada maior, a legenda terá na eleição outros nomes que agregam uma imagem "lavajatista" e de centrodireita: Deltan Dallagnol e o general da reserva Carlos Alberto Santos Cruz. A presidente do Podemos tenta agora convencer Rosângela Moro a disputar uma vaga na Câmara, segundo afirmam aliados do exjuiz. No entanto, a ideia ainda enfrenta resistência do casal.

Estados

Regionalmente, Moro continua a ter problemas internos no partido O assunto foi discutido durante uma reunião no Rio, no último dia 9. Em Roraima, o dirigente da legenda, Pastor Isamar, já recebeu Bolsonaro em sua igreja e deixou o Podemos para se filiar ao PTB.

Outro reduto bolsonarista está no diretório de Mato Grosso, cujo maior representante é o deputado federal José Medeiros, também fechado com o presidente. Dirigentes do partido disseram ter dado um ultimato para que Medeiros anunciasse apoio de maneira clara e pública ao ex-juiz ou deixasse a legenda. O Estadão não localizou Medeiros. Seu gabinete não respondeu aos contatos da reportagem.

Outra preocupação está na relação entre o líder da bancada na Câmara, Igor Timo (MG), e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), outro pré-candidato à Presidência. Questionado sobre quem é seu favorito, Timo declarou apoio a Moro, ao lado de Pacheco: "A chapa dos sonhos".

Na Bahia, um dos mais antigos quadros do Podemos, o deputado federal João Carlos Bacelar, declarou abertamente, durante uma visita de Lula, apoio a Jacques Wagner (PT) para governador. Ele, no entanto, já deu declarações públicas de que vai apoiar o candidato de seu partido ao Planalto. Procurado, o deputado não se pronunciou.

Meta é chegar a 15% em março, diz líder

Ao avaliar internamente o resultado da mais recente pesquisa Ipec de intenção de voto à Presidência, divulgada na semana passada, dirigentes do Podemos consideram que ainda é cedo e há tempo para Sérgio Moro crescer. "Como a presidente do Podemos, Renata Abreu, tem dito, a meta é ter 15% até março do ano que vem", disse o líder da bancada do Podemos na Câmara, deputado Igor Timo (MG).

A pesquisa Ipec apontou que o ex-juiz tem 6% das intenções de voto, patamar distante dos primeiros colocados Jair Bolsonaro (21%) e Luiz Inácio Lula da Silva (48%). Dirigentes do Podemos afirmam, entretanto, que pesquisas internas dão a Moro 11%. "Já estamos muito próximos do objetivo inicial", disse Timo. "É bom lembrar que Moro se filiou ao Podemos e entrou para valer no jogo político há pouco mais de 30 dias."

A equipe de marketing do ex-juiz avalia que a distância do período eleitoral faz das pesquisas uma amostragem diferente do que será o resultado das urnas. A avaliação é de que Moro tem potencial de roubar votos dos eleitores de Bolsonaro.

DESAFIO. O cientista político Humberto Dantas afirmou que, na maioria das pesquisas, Moro "não descola, de forma absoluta, como terceira via". "O primeiro desafio: quem testa rejeição tem visto o exjuiz com bastante dificuldade." Segundo Dantas, Moro também precisa se "descolar da pauta anticorrupção", que não deveria se "sobrepor aos temas mais sociais e econômicos gritantes atuais".

O cientista político ainda avaliou que o ex-juiz "precisa se encontrar politicamente, abrir espaço no partido, abraçar prefeito, viver a realidade" longe de Brasília: "Precisa encarar a sociedade e imprimir uma marca que o coloque perto das pessoas".

É fato que Moro tem se esforçado, aproveitando as viagens para divulgar seu livro Contra o Sistema da Corrupção. No Recife, por exemplo, ganhou um chapéu de sertanejo e fez questão de posar para fotos com o adereço.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

 

Fonte: Estadão Conteúdo

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu a aliados a adoção do regime semipresidencialista a partir de 2030 no país, cujo modelo seria proposto em texto a ser debatido ao longo do ano que vem e votado apenas pelo próximo Congresso.

0bd14e18cfa47be3e995b29992f2e7a7Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

O esforço inicial estava sendo feito por meio de uma PEC (proposta de emenda à Constituição) de autoria do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). Conforme o texto, se promulgada, a mudança valeria já para 2022.

A viabilidade do tema para o próximo ano, na avaliação de deputados, era próxima a zero. Prova disso é que a PEC ainda não alcançou as 171 assinaturas necessárias para que comece a tramitar.

Segundo aliados, Lira argumenta que a mudança de sistema daria estabilidade ao país e ajudaria a aprovar reformas estruturantes, como a administrativa e tributária.

Desta forma, o Congresso poderia votar temas mais amplos e ficaria menos suscetível ao lobby de grupos que costumam fazer pressão sobre parlamentares, em especial perto do período eleitoral, e sem se preocupar com o impacto orçamentário das mudanças.

Para evitar acusações de que a PEC poderia prejudicar Bolsonaro ou o ex-presidente Lula, Lira defende que o sistema passe a valer a partir de 2030 –ou seja, não impediria um eventual segundo mandato do petista sob as mesmas regras, caso eleito no próximo ano.

A ideia do presidente da Câmara é criar um grupo de trabalho para fazer o debate ao longo de quatro meses. Serão ouvidos parlamentares de países onde há sistema semelhante, como Portugal, e realizados seminários. Lira defende que se trata de uma reforma política, e não eleitoral.

Aos interlocutores Lira defende que o semipresidencialismo teria que ser adaptado à realidade brasileira, com um presidente mais forte do que existe, por exemplo, em Portugal.

Depois que se chegasse a um texto de consenso, somente o próximo Congresso eleito votaria, diminuindo acusações de parcialidade. Lira não descarta que seja necessário realizar um plebiscito para debater o assunto.

O semipresidencialismo é defendido pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e pelo ex-presidente Michel Temer (MDB). Defensores dizem que seria uma maneira menos traumática de promover mudanças em um governo que não está funcionando.

O modelo é uma espécie de parlamentarismo em que o presidente da República conserva um pouco mais de poder nas mãos em relação ao parlamentarismo tradicional e menos do que no presidencialismo atual.

Desde a redemocratização, houve dois processos de impeachment no Brasil: o de Fernando Collor de Mello e o de Dilma Rousseff. Contra Jair Bolsonaro há cerca de 130 pedidos à espera da análise de Lira.

O próprio presidente da Câmara diz publicamente que o modelo é uma forma de "estabilizar mais o processo político dentro do Congresso Nacional".

A proposta de Samuel Moreira previa que o presidente, eleito pelo voto direto, seria o chefe de Estado, comandante supremo das Forças Armadas e tem o poder de dissolver a Câmara em caso de grave crise política e institucional, convocando novas eleições em 60 dias.

O presidente é o responsável por indicar o primeiro-ministro, que é quem governará, de fato, com o conselho de ministros. O plano de governo deve ser aprovado pelo Congresso. Em caso de crise, o gabinete cai, e o primeiro-ministro é substituído caso perca apoio.

Conforme a PEC de Moreira, o primeiro-ministro seria escolhido preferencialmente entre os membros do Congresso, por voto da maioria absoluta dos parlamentares.

O advogado-geral da União passaria a ser nomeado pelo primeiro-ministro, em vez de ser nomeado pelo presidente.
O chefe do governo também indicaria ministros de Estado e pediria a exoneração deles. A nomeação, porém, caberia ao presidente da República.

O texto prevê a criação do cargo de ministro-coordenador, que faria as vezes de primeiro-ministro durante o presidencialismo até que o novo sistema seja de fato implementado.

A decisão de rediscutir a adoção do modelo foi articulada por integrantes da cúpula do Judiciário e do Legislativo como meio de encontrar uma saída para crise entre os Poderes e em meio ao aumento da pressão pelo impeachment de Bolsonaro.

Após o 7 de Setembro, em que o presidente endossou atos de caráter golpista e atacou o STF, partidos de centro passaram a defender o afastamento do mandatário.

O movimento cessou após Bolsonaro, sob orientação de Temer, divulgar a "Declaração à Nação", uma nota retórica em que retirou os ataques ao Supremo e acenou com trégua aos Poderes.

Mesmo assim, diante da desconfiança a respeito do prazo que durará a moderação encampada por Bolsonaro, políticos resolveram resgatar o tema.

Além de Gilmar, outros ministros do STF defendem o semipresidencialismo. Em evento realizado em agosto, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luís Roberto Barroso, fez a defesa do modelo, ainda que não para a eleição de 2022 e sim mais para frente.

Fonte: Folhapress

O deputado federal Túlio Gadelha, eleito pelo PDT em Pernambuco, anunciou neste sábado (18), no Recife, sua filiação à Rede Sustentabilidade, partido fundado pela ex-ministra Marina Silva.

3451d27bb89dd0deda6253b78cb335c6Foto: Agência Câmara

O evento contou com a presença de duas das principais lideranças nacionais do partido: o senador Randolfe Rodrigues (AP), vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, e a ex-senadora Heloísa Helena, que hoje ocupa o posto de porta-voz nacional da Rede, o equivalente à presidência na estrutura da legenda. Marina Silva, fundadora e candidata à Presidência pela Rede em 2018, não foi ao ato.

Em suas redes sociais, Randolfe Rodrigues celebrou a chegada de Gadelha, um parlamentar de destaque na oposição ao governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados. "Esse cabra que não teme uma luta", resumiu.

Já Gadelha não falou abertamente da filiação, mas publicou uma foto com Randolfe, Heloísa Helena e o ex-deputado federal Professor Paulo Rubem Santiago. "Aqui tem muita amizade, carinho, cuidado, respeito e luta. Que a vida seja sempre assim!", escreveu.

A filiação de Túlio Gadelha -eleito com aproximadamente 75 mil votos em 2018- ocorre em um momento em que a Rede sofre uma debandada de suas principais lideranças. Ao longo dessa legislatura, o partido perdeu quatro dos cinco senadores que elegeu -o último deles, Fabiano Contarato (ES), se filiou ao PT.

A estratégia do partido é justamente investir em ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados, onde hoje só conta com Joenia Wapichana (RR). Em 2018, o partido já ficou abaixo da cláusula de barreira -o que dificulta o acesso a recursos do fundo partidário, propaganda eleitoral em rádio e TV, entre outras restrições.

Já o PDT sofre uma nova perda, após investir na promoção de lideranças jovens na eleição de 2018. Em setembro, o partido de Ciro Gomes já havia perdido a deputada federal Tábata Amaral (SP), que se filiou ao PSB.

Fonte: Folhapress

Fundador do PSDB e tucano há mais de 30 anos, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin concretizou, nesta quarta-feira (15), sua saída do partido -movimento ensaiado há meses. Aliados apostam, porém, que a decisão sobre a nova filiação deve ocorrer apenas no ano que vem.

9f1734e5af7c6a99ac9b87275944a114Foto: Pedro Ladeira/FolhaPress

A mudança do ex-governador tem relação com seus planos eleitorais para 2022, que não poderiam ser viabilizados no PSDB. Alckmin avalia duas opções.

Uma é a filiação ao PSD, de Gilberto Kassab, para concorrer ao Governo de São Paulo e tentar novamente sentar na cadeira que já ocupou por mais de 12 anos.

Outra é integrar a chapa do ex-presidente Lula (PT) como candidato a vice-presidente -nesse caso a filiação mais provável seria ao PSB. A aproximação com o petista, confirmada por ambos, tem torcedores e detratores no mundo político.

Em encontro com dirigentes de centrais sindicais, no dia 29 de novembro, Alckmin obteve apoio para a dobradinha e disse que a hipótese caminhava.

Alckmin lidera as pesquisas para o Governo de São Paulo, algo que rivais minimizam atribuindo a recall. Mas, se migrasse sua candidatura para o plano nacional, abriria espaço, no estado, para Márcio França (PSB) e Fernando Haddad (PT), que tentariam buscar alguma composição.

Depois de sofrer, em 2018, a pior derrota do PSDB em eleições presidenciais, terminando com 4,76%, Alckmin pretendia retomar o Palácio dos Bandeirantes em 2022. Viu seus planos frustrados em maio, quando o atual governador, João Doria (PSDB), filiou seu vice, Rodrigo Garcia, ao PSDB, para ser o candidato tucano a sua sucessão.

Desde então, Alckmin abriu conversas com diversas siglas e, em paralelo, tornou-se opção de vice para Lula.

Agora rival de Doria, de quem foi padrinho político, Alckmin decidiu só se desfiliar do PSDB após as prévias presidenciais tucanas para dar seu voto a Eduardo Leite (RS), a quem ajudou na campanha, articulando apoios em São Paulo.

Parte dos tucanos trabalhou para manter Alckmin no partido -inclusive Doria afirmou que preferia sua permanência. Para isso, porém, o ex-governador teria que concorrer ao Senado ou à Câmara, algo que descartou.

Nesta quarta, Alckmin disse que é hora "de traçar um novo caminho" após 33 anos no partido.
Em rede social, disse também que "em breve" anunciará os próximos passos.

"Jamais esqueci a lição do meu pai. Respeito às pessoas, lealdade aos princípios e firmeza de caráter. Só com esses valores é possível construir uma vida pública decente", afirma.
?Segundo a sigla, o ex-governador, "de forma cordial, fez uma ligação ao presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, confirmando sua desfiliação."

?Alckmin, que costuma lembrar ter sido a sétima assinatura na fundação do PSDB, confirmou em agosto que estava de saída do tucanato, diante da escolha de Doria por Garcia.

A ironia é ter sido Alckmin o responsável por colocar Doria na vida pública. Embora a relação entre padrinho e afilhado já estivesse deteriorada há mais tempo, a saída do PSDB consolida a rivalidade entre eles. Doria, que já é visto com muitas ressalvas entre tucanos, terá que arcar com mais um desgaste interno.

A filiação de Garcia agravou a oposição entre simpatizantes de Doria e Alckmin no partido e ocasionou o rompimento do presidente do DEM, ACM Neto, com o governador de São Paulo, que tenta conquistar aliados para sua candidatura ao Planalto.

??Alckmin, que já foi governador por mais de 12 anos em quatro mandatos, lidera a corrida eleitoral com 26% das intenções de voto, segundo o Datafolha.

Em seguida aparecem Haddad (PT), com 17%; França (PSB, com 15%, empatado tecnicamente com o petista) e o líder de movimentos de moradia Guilherme Boulos (PSOL, com 11%).

Em um cenário sem Alckmin, Garcia aparece em quinto lugar, com 5%. A pesquisa foi realizada de 13 a 15 de setembro com 2.034 pessoas em 70 cidades do estado. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Alckmin tem até abril de 2022 para se filiar a alguma sigla com o objetivo de concorrer na eleição. Aliado de França, que foi seu vice-governador e também é pré-candidato ao Governo de São Paulo, Alckmin pode repetir essa chapa em 2022.

Aliados de Doria afirmam que foram dadas opções a Alckmin -a de concorrer em prévias estaduais contra Garcia ou de disputar uma vaga no Congresso.

O prazo de inscrição nas prévias estaduais se encerrou em 20 de setembro, com apenas Garcia inscrito, o que consolidou o processo de saída de Alckmin do PSDB. A candidatura de Garcia foi homologada em novembro.

Parte dos tucanos aliados de Alckmin chegou a estimular o ex-governador a concorrer nas prévias, mas ele se recusou, argumentando que a disputa seria desleal e que não tinha confiança no processo -já que Doria e Garcia têm usado recursos de programas do estado e filiações para ampliar sua base política.

A decisão de concorrer em 2022 marca o fim de uma espécie de período sabático de Alckmin, que se dedicou à medicina desde a derrota de 2018.

Alckmin faz curso de acupuntura no Hospital das Clínicas e, por isso, atende no ambulatório semanalmente. Ele também dá aulas na Uninove, onde faz doutorado.

Mesmo assim, o ex-governador não parou completamente sua atividade política. Conforme as eleições se aproximam, Alckmin tem intensificado suas visitas ao interior, reuniões com sindicatos e cafezinhos com políticos para afinar uma coligação de apoio.

Alckmin é conhecido pelo estilo interiorano, simples, simpático e contador de histórias -estratégia usada também para se esquivar de embates e posicionamentos contundentes. É, nesse sentido, representante da característica tucana de ficar "em cima do muro".

Tudo isso contrasta com o hábito dinâmico e marqueteiro do afilhado João Doria. Quando Doria chegou ao Palácio dos Bandeirantes, casa de Alckmin nos anos anteriores, reformou toda a sede do governo, trocando os móveis antigos e clássicos por tons de cinza e preto.

Alckmin bancou, em 2016, a candidatura de Doria à Prefeitura de São Paulo, se opondo a outros tucanos históricos no processo de prévias, como Ricardo Tripoli (PSDB) e Andrea Matarazzo (PSD), que deixou o PSDB contrariado com Doria.

Na época, o ex-senador José Aníbal (PSDB) e o ex-governador Alberto Goldman (PSDB) acusaram Doria de abuso de poder econômico na eleição interna.

Até então, era Alckmin que sustentava o apoio a Doria no partido, apesar da coleção de inimizades internas. Mas, já em 2017, o então prefeito de São Paulo começou a causar dores de cabeça ao seu padrinho, provável candidato tucano ao Planalto em 2018.

Com viagens pelo país, Doria, que se elegera como "gestor e não político", tentou se cacifar para a disputa da Presidência da República no ano seguinte, brigando por espaço com Alckmin, que acabou levando a indicação.

Doria disputou prévias em 2018, se tornou candidato ao Governo de São Paulo e se elegeu fazendo campanha com o nome de Bolsonaro, algo que Alckmin desaprovou. Após o primeiro turno, em reunião tucana, Alckmin disse a Doria: "traidor eu não sou", em um episódio que marca o afastamento entre eles.

?Alckmin iniciou a vida política com a eleição para vereador e, posteriormente, prefeito de Pindamonhangaba, sua cidade natal, nos anos 1970. Em seguida foi eleito deputado estadual e federal pelo MDB, até ajudar na criação do PSDB em 1988.

Em 1994 e 1998, Alckmin foi eleito e reeleito vice-governador de São Paulo na chapa de Mário Covas (PSDB), que morreu em 2001, deixando a cadeira para seu substituto.

Em 2006, Alckmin concorreu à Presidência da República, mas foi derrotado -assim como quando tentou se eleger prefeito de São Paulo, em 2000 e 2008.

Ele voltou ao Palácio dos Bandeirantes em 2011, eleito em primeiro turno no ano anterior. O mandato ficou marcado pela série protestos, em 2013, contra o aumento da tarifa de metrô e ônibus, que acabou revogada pelo tucano e pelo então prefeito de São Paulo, Haddad.

Alckmin foi reeleito, também em primeiro turno, em 2014, apesar da crise hídrica no estado, que se tornou o principal tema da campanha. Na época, o governador segurou o aumento da tarifa para os "gastões" no ano eleitoral de 2014 e somente autorizou a medida após conquistar a reeleição. Antes do pleito, congelou o aumento anual da tarifa de água.

Em um debate na TV, afirmou que não faltava água em São Paulo, quando os relatos de torneiras secas eram crescentes e bairros da periferia já sofriam com um forte racionamento de água sempre negado no discurso oficial.

Na eleição presidencial de 2018, Alckmin passou a usar a superação da crise hídrica paulista como uma plataforma política nacional. No auge da seca, porém, a gestão de Alckmin foi alvo de fortes críticas. ANA (Agência Nacional de Águas, órgão federal) e TCE (Tribunal de Contas do Estado) apontaram falta de planejamento mesmo diante dos indícios de que uma forte seca atingiria São Paulo.

Em abril de 2018, Alckmin deixou o Governo de São Paulo com índice de aprovação de 36%, segundo pesquisa do Datafolha realizada após sua renúncia para disputar a Presidência. França assumiu a gestão e concorreu ao cargo de governador, mas foi derrotado por Doria.
Entre os eleitores paulistas, 40% classificaram sua gestão como regular e 22%, como ruim ou péssima. ?

De forma geral, os governos tucanos em São Paulo são lembrados pelos atrasos e casos de corrupção em obras do metrô e do Rodoanel, cujas suspeitas atingem também a gestão Alckmin. O PSDB comanda o governo de São Paulo desde 1995 -à exceção de breves períodos em que vices de outras legendas assumiram .

Em 2020, a Justiça Eleitoral de São Paulo tornou Alckmin réu sob a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro, além de receber caixa dois da Odebrecht.

A acusação se refere a pagamentos para as campanhas eleitorais de 2010 e 2014. Segundo o Ministério Público de São Paulo, o ex-governador recebeu R$ 2 milhões em espécie da Odebrecht na campanha de 2010 e R$ 9,3 milhões quando disputou a reeleição.

A defesa de Alckmin afirma que ele "nunca recebeu valores a título de contribuição de campanha eleitoral que não tenham sido devidamente declarados nos termos da legislação vigente, nem tampouco praticou qualquer ato de corrupção, como, aliás, nunca fez durante mais de 40 anos de vida pública".

Fonte: Folhapress