Uma denúncia gravada pelo internauta Ricardo Cavalcante, morador da Vila Leão, acendeu o alerta sobre o impacto financeiro do ar nas tubulações de água. Em um vídeo enviado à reportagem, o morador relata indignação ao flagrar o hidrômetro de sua residência girando em alta velocidade, mesmo sem o fornecimento regular de água.caixa"Tô aqui na Vila Leão e aí eu tava em casa na sala sem televisão, escutei a caixa d'água fazendo zoada, né, como tivesse enchendo, mas só que era só ar. Aí eu fui lá fora no registro, quando eu vi lá girando, uma zoada muito alta, sem parar e nada de sair água na torneira. Agora me explica aí essa situação, meu patrão. Me diz aí, quem é que vai pagar essa conta aí? E que que safadeza é essa daí que tá acontecendo? Me explica aí."

O Problema: Como o ar encarece a conta?

O fenômeno relatado por Ricardo é comum em períodos de interrupção ou racionamento no abastecimento. Quando a água para de circular, a tubulação fica cheia de ar. Assim que o fornecimento é restabelecido, a pressão empurra esse ar para dentro do imóvel.
Como a maioria dos hidrômetros tradicionais mede o volume por rotação (independentemente de ser líquido ou gás), o ponteiro gira rapidamente. Isso significa que o consumidor acaba pagando pelo ar como se fosse água filtrada.

O que diz a lei e quais os direitos do consumidor?

A insatisfação do morador resume a dúvida de milhares de cidadãos afetados pela falha na rede de distribuição:
Responsabilidade financeira: Conforme o Código de Defesa do Consumidor (CDC), o cliente não deve pagar por um serviço que não utilizou efetivamente. Cobrar por ar configura enriquecimento ilícito por parte da concessionária.
Eliminadores de ar: Diversas cidades e estados possuem legislações locais que autorizam o consumidor a instalar válvulas bloqueadoras ou eliminadoras de ar logo antes do hidrômetro. Esses aparelhos impedem que o ar movimente os ponteiros do relógio.
Contestação da fatura: Caso a conta de água do morador venha com um valor muito acima da média histórica após episódios como este, ele tem o direito de protocolar uma contestação junto à empresa de saneamento exigindo a revisão do consumo.

Como proceder nesses casos?

Registre em vídeo: Assim como Ricardo, grave o relógio girando sem água nas torneiras.
Abra um protocolo: Entre em contato imediatamente com a concessionária local para relatar a falta de água e o disparo do hidrômetro.
Acione o Procon ou a Agência Reguladora: Se a empresa se recusar a abater o valor correspondente ao ar na próxima fatura, o consumidor deve formalizar a queixa nos órgãos de defesa para mediação ou reembolso.

Da redação