O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, no desdobramento da 8ª fase da Operação Unha e Carne. Canella, que consolidou-se como o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro nas eleições recentes com 197.178 votos, foi detido em sua residência em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital fluminense. A ordem de prisão preventiva foi expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em uma investigação que mira um esquema bilionário de lavagem de dinheiro estimado em R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Além do ex-prefeito de Belford Roxo, os agentes federais prenderam o delegado e ex-secretário estadual de Polícia Civil, Marcus Amim, juntamente com outros quatro inspetores da corporação. Conforme informações da CNN Brasil, as equipes saíram para cumprir seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. A ofensiva ocorreu em diversos municípios do estado, incluindo Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. O STF também determinou o bloqueio de ativos financeiros e a suspensão imediata das atividades de 112 empresas, entre as quais constam 96 postos de combustíveis no Grande Rio.
De acordo com as investigações conduzidas no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, o grupo utilizava a extensa rede de postos de gasolina para camuflar e legalizar recursos financeiros de origem ilícita. Relatórios de inteligência financeira emitidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) serviram de base para embasar o caso na Justiça. A PF pontua que o esquema criminoso contava com uma robusta articulação político-institucional e o suporte de agentes públicos. Os indiciados deverão responder, conforme suas responsabilidades individuais, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, formação de cartel e venda ilegal de combustíveis.
Esta é a segunda vez em poucos meses que Márcio Canella é detido na mesma apuração. Em julho deste ano, durante a 6ª fase da operação, o parlamentar foi preso em flagrante após policiais localizarem um fuzil calibre .556 no porta-malas de seu veículo. Naquela ocasião, a defesa justificou que o armamento de uso restrito pertencia a um policial responsável por sua escolta privada. Ele acabou sendo liberado três dias depois por decisão liminar do STF para responder ao processo em liberdade, sob o cumprimento de medidas cautelares que incluíam o uso de tornozeleira eletrônica e a suspensão do porte de armas.
Em posicionamento divulgado à imprensa, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil informou que acompanhou os mandados contra os seus servidores e ressaltou que a instituição adota medidas rigorosas e não tolera desvios de conduta. Procurada por veículos jornalísticos como o Portal UOL, a assessoria jurídica do deputado estadual eleito Márcio Canella adiantou que só irá se manifestar publicamente após obter acesso integral aos novos autos do processo criminal.
Da redação